quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"Inspeção Secreta", do canal TLC: tão "fake" e encenado quanto parece

Segundo o blog reality blurred o reality show Inspeção Secreta (Restaurant Stakeout), exibido no Brasil pelo canal por assinatura TLC (e nos EUA pelo canal Food Network) "é qualquer coisa, menos real". O programa segue o empresário Willie Degel tentando ajudar donos de restaurante por todos os Estados Unidos que estão em dificuldades a melhorar seus negócios.

São instaladas câmeras escondidas dentro de cada restaurante, mostrando como os funcionários trabalham, enquanto Willie e o dono do restaurante assistem às imagens em tempo real em outro local. Os problemas detectados durante três dias de filmagens, são discutidos por Willie e o dono do restaurante e, ao final das filmagens, o proprietário realiza uma reunião com todos os seus funcionários para tentar resolver tais problemas. Depois de seis semanas, Willie volta para saber se as coisas melhoraram.

No entanto, de acordo com o blog, os produtores escolheram o caminho mais preguiçoso e encenam as situações, chegando a escolher atores para fingir serem funcionários dos restaurantes. Três episódios da primeira temporada foram filmados em Rockland County, Nova York (EUA), e a equipe e proprietários revelaram o quanto o autodenominado reality show é falso. O Journal News entrevistou os proprietários dos restaurantes. Mike Solicito, proprietário do Lexington Grille and Pup, que apareceu no segundo episódio da primeira temporada, disse que "nada [no programa] é real".

Ele não explicou o que isso significava, mas o proprietário do Mount Ivy Café, retratado no terceiro episódio da primeira temporada, sim.
  • Contratando um ator. Isso é comportamento antiético e imperdoável. Produtores contrataram um garçom que derrubava comida e bebia durante o trabalho depois de mentir e então foi demitido. A proprietária do Mount Ivy Café, Lucia Ivezaj, disse: "Eles queriam bastante drama e, infelizmente, nós não temos drama aqui. Então, por isso, eles criaram um pouco do seu próprio drama".
  • Dizendo a empregados reais como se comportar. Ivezaj disse ao jornal: "Eles nos disseram o que fazer, como agir — então foi divertido. Estou certo que sim. Só não é divertido para nós assistir amadores fingindo que são atores, porque são uma droga nisso.
  • Roubando tempo. Editar para diminuir o tempo e´uma coisa; ter o seu elenco fingir a passagem do tempo é outra totalmente diferente. A dona do Mount Ivy Café disse que gostou da experiência, exceto por "ter que trocar de roupa de tempos em tempos para fingir que as filmagens se passavam num dia diferente".
  • Dizendo aos membros do elenco como eles vão ser retratados. Ivezaj parece aliviada sobre todos os momentos fingidos porque, segundo ela, "nos divertimos fazendo isso" e, como ela acrescentou, "supostamente eles nos fazem parecer bem seis semanas depois". Parece que os produtores asseguraram a todos que valeria a pena tolerar essas coisas porque tudo terminaria bem no final.
Isso tudo é muito chocante, embora cada pessoa que assistiu ao programa provavelmente suspeita que algo está fora de lugar, das câmeras mal escondidas ao modo como as confrontações parecem.

Qualquer reality show que não seja um documentário "fly-on-the-wall" tem algum envolvimento dos produtores para montar o que vemos e isso deve ser esperado. Nesse programa, Willie Degel e/ou os produtores mandam pessoas para testar os funcionários dos restaurantes, instruindo-os via ponto eletrônico (no artigo, o proprietário do Lexington Grille disse que sua cunhada foi uma dessas pessoas usadas como figurante). Em algum nível, isso é fake — não são clientes de verdade —, mas está tudo bem porque o que está acontecendo é admitido no ar e você não está sendo enganado, e é um experimento legítimo para ver como o funcionário vai responder.

Mas além disso, a série é inepta: as confrontações climáticas com os funcionários no final caem por terra, porque são apenas tomadas (takes) de reações (provavelmente fora de contexto) e flashbacks, já que o drama real foi fingido e não há como eles reagirem a tais momentos artificiais.

Prova de que Inspeção Secreta usa atores para interpretar garçons

Não bastasse tudo o que já foi dito, o blog reality blurred, encontro provas concretas de que o autodenominado reality show é uma fraude: uma chamada de elenco "buscando homens ou mulheres para interpretar um garçom numa churrascaria". O nome do projeto nem tenta esconder para o que é: "Restaurant Stakeout (NJ)", nome original do programa nos Estados Unidos.

Os produtores de elenco querem um homem ou uma mulher, de 25 a 35 anos, de qualquer etnia, "para interpretar um garçom ou uma garçonete num restaurante em Somerville, NJ. O comprometimento será para de um a três dias de filmagem, US$ 120/dia". Também há "US$ 60/dia (para ser usada em refeição no restaurante)", embora não esteja claro se essa é somado aos US$ 120 de compensação. NJ é a sigla do estado de Nova Jersey.

O ator e comediante Anthony Devito notou pela primeira vez essa chamada de elenco e mandou o e-mail completo que ele recebeu (imagem abaixo) da empresa Casting Network para o responsável pelo blog reality blurred.

É triste saber que isso está se tornando cada vez mais comportamento aceitável.

http://img268.imageshack.us/img268/1294/3nn3.png

Fonte: reality blurred (1) (2)

2 comentários:

Thaïs Daufouy disse...

O uso de atores é conhecido, basta ler os créditos.
A escolha foi por motivação jurídica, para evitar processos de danos e ações trabalhista (vale em qualquer país, inclusive no Brasil).
O uso de atores e nomes fictícios foi o melhor caminho para interpretar situações reais sem expor ninguém a uma situação que complicaria a vida profissional de qualquer um pelo resto da vida.

Caroline Damaceno disse...

Mas é disso que o povo gosta ou vc acha q o q se passa no BBB é verídico?